quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

UMBIGOS DE FOME

Tenho percebido que nos momentos em que impera o egoísmo há uma crise profunda de falta de criatividade.
No trabalho como educadora, pensando a vida de pessoas verdadeiramente carentes, sempre sou enfática ao dizer que, ninguém faz projeto de vida com fome.
Parece obvio mas há muitas pessoas que insistem em tentar que "outras" consigam esse exercício. É tão surreal quanto falar com alguém na UTI, em coma induzido, que "amanhã vence a conta de luz". Emendando com a pergunta: há dinheiro para pagar?
É esquizofrênico. Parece sem nexo porque é sem nexo mesmo! 
Nosso egoísmo nos faz pouco ou nada criativos. Não dá mesmo pra acontecer nada muito diferente e brilhante num país que não tem o que  "comer".
Estilo Haiti. Há um estudo sobre o Haiti e a projeção é que nos próximos 40 anos não deve haver nenhuma grande transformação no país se não vierem pessoas de fora ou se não houver urgência em sanar a fome das pessoas.
A explicação é por que não é possível haver lideranças, nem grandes lampejos de brilhantismo quando as pessoas não tem comida. A falta de alimentos gera um enorme número de problemas físicos e mentais. Tais situações vão impedindo que nossa melhor condição de seres pensantes se ative. Com fome de verdade, antes da prostração aparece um estado de agonia e hiperatividade na busca do que comer. Somente do que comer!
Me vem à cabeça o exemplo dos cachorros de rua. Claramente é possível ver quando estão na rua faz pouco tempo ou quando tem fome. Vão de um lado para outro sem saber o que fazer. Andam quase correndo e vão a esmo seguindo. Não se pode comparar um animal nestas condições com um muito bem tratado morando com uma família.
O mesmo acontece com os humanos. O mundo esquece de lembrar do Haiti. É um modo egoísta de não ter que pensar nas pessoas.
Quando se estuda que há poucas ou quase nenhuma chance de surgirem pessoas brilhantes desse lugar, chega a ser uma maldade. Esse "egoísmo" de tentar achar o que comer não se compara ao egoísmo dos seres sem luz. Daquelas pessoas que, apesar de todas as possibilidades favoráveis, insistem em não olhar para mais nada que não seja para si mesmos e os "seus".
Essas criaturas sim não deverão nos próximos cem anos abrilhantar nada. E sua mediocridade é tão interessante que elas quase sempre tem filhos SEUS. De raça! Fazem até tratamento para isso, afinal, seu prazer egoico não lhes permite pensar que de um gozo qualquer pode nascer uma vida tão importante quanto qualquer outra. Não. Precisam ter SEUS filhos.  
E batendo panelas rumam para oferendas de fome aos SEUS no futuro! 

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